quinta-feira, 9 de agosto de 2012

FESTAS DE SANTA MARIA

Longe vão os tempos em que pela manhã do dia 14 de agosto de cada ano, ao rebentar do primeiro morteiro a anunciar o começo de mais umas tradicionais festas de santa Maria,me levantava meio ensonado para ouvir os acordes da banda filarmónica a anunciar mais uma tradicional e secular festa. São tempos que foram e não voltaram mais;as festas eram além do divertimento que proporcionavam, pretexto para encontro dos ouriquenses que radicados por este país fora e estrangeiro,aproveitavam estes dias para visitar o torrão natal, seus amigos e familiares. Logo pela manhã dada a alvorada com salva de morteiros e banda a percorrer as ruas da vila, era altura de nos dirigirmos ao mercado municipal,todo engalanado para receber os visitantes que aqui se deslocavam para comprar os produtos da terra(hortícolas)oferecidos pelos proprietários das hortas em redor da vila cuja receita da venda revertia a favor do hospital da misericordia;era também no mercado que era servido um pequeno almoço preparado a rigor por senhoras da terra que com todo o empenho, preparavam o café, os bolos regionais, e chá com que presentiavam os visitantes, dando-se início ao primeiro dia de muito convivio entre os ouriquenses. Depois era um nunca mais acabar de divertimentos onde o sagrado e o profano se misturavam em perfeita símbiose com um único objetivo:manter abertas as portas de um hospital que socorria todos os que dele necessitavam. Rico, pobre,criança ou velho todos trabalhavam com afinco,para dar brilho às suas festas e ao mesmo tempo angariar fundos para a nobre causa do "fazer o bem sem olhar a quem". Eram realmente dois dias de azafama e divertimento desde o esperar as vacas do senhor cortes,que já sabiam o caminho para as garraiadas alentejanas,na praça improvisada muito tempo antes, situada a meio da hoje avenida 25 de abril,o cortejo de oferendas onde todas as freguesias apresentavam o seu melhor, com os carros decorados a rigor como que em jeito de competição, eram os bailes até ao nascer do sol na praça D.Diniz, as variedades por onde passavam grandes nomes da música portuguesa da época, que muitas vezes aqui se deslocavam ou gratuitamente, ou a um caché muito abaixo do cobrado, para desta forma apoiarem esta nobre causa dos ouriquenses. Em jeito de homenagem a todos os ouriquenses destaco aqui os nomes de alguns que dado a sua total disponibilidade não se pouparam a esforços para honrar ourique e as suas tradições. Ramiro Sobral, Bartolomeu do carmo e seus filhos Zé janita e Nabor, sr Vidinhas Dr Augusto melo e seu filho Augusto, Dr Margarido,Felisberto Monteiro e seu irmão joão António,D.catarina Urbano,sr Basilio valente e muitos outros;que dado a extensão da lista seria um nunca mais acabar. Não querendo ser critico nem saudosista apetece-me deixar aqui um desafio:porque não alear-mos a modernidade à tradição? porque não a contituição de uma comissão de festas para lhe restituir a dignidade de antigamente?sem dai tirar louros ou dividendos de qualquer espécie. Será que a palavra solidariedade já não faz sentido nos nossos dias? esta não é uma palavra vã e tanto ontem como hoje continua a fazer sentido;continuam a existir causas nobres na nossa terra que merecem o nosso respeito e o nosso apoio.